Agulha no palheiro: oportunidades em ativos estressados

O que é ativo estressado?

Em mais um painel da Expert 2023, nesta sexta-feira (1), contamos com a presença de Alexandre Cruz, sócio da Jive, Luciana Calidonio, sócia da BMA Advogados, e Filipe Mattos, Head de Special Situations na XP Asset, para debater o tema de ativos estressados.

Na sessão, o primeiro destaque foi relacionado ao atual cenário de redução de juros, que tende a diminuir os rendimentos das aplicações tradicionais, abrindo portas para os investimentos alternativos na busca de retornos mais consistentes.

Na sequência, os convidados explicaram também as principais características que originam um ativo “estressado”, que geram momentos de oportunidade de entrada pelas gestoras especializadas: pode ser tanto uma situação pontual relacionada à atividade da empresa, quanto uma necessidade de capital, ou seja, liquidez, oriunda do titular do crédito ou ativo.

Um mix entre jurídico e financeiro

Neste tipo de operações, ocorre a conjugação dos conhecimentos regulatório e financeiro. Por este motivo, é comum a presença de advogados e analistas de crédito nos times que tomam a decisão da concessão do capital necessário à contraparte em questão, sem a perda do capital. O destravamento de valor ocorre justamente na resolução desta equação.

Em termos de avanço do segmento, a Recuperação Judicial e a falência são consideradas verdadeiros “pesadelos” para os credores no Brasil. Entretanto, a nova Lei de Falências de 2020 trouxe melhorias relevantes.

Luciana explicou os principais avanços trazidos pela nova regulação: além de maior celeridade e segurança no processo, foi criada uma modalidade de financiamento denominada DIP – debtor in possession – em que os credores de empresas em crise, como recuperação judicial ou falência, possuem prioridade de recebimento, passando ao “topo da lista”, pontuou.

Outro avanço foi em relação às garantias, que passaram a ser válidas a partir do momento da concessão do crédito, independentemente dos trâmites judiciais. Filipe destacou também a proteção e a clareza no processo com a nova lei. Segundo o especialista, o “desafio será como o judiciário vai interpretar todas as novidades. O amadurecimento disso pode atrair mais capital” para o segmento.

Outro ponto trazido por Alexandre é que “a celeridade da venda dos ativos importa”, no sentido de que ativos parados, como uma planta fabril, perdem valor. Com a nova regulação, o processo de venda também tende a ser mais rápido.

Questionada sobre o que a nova Lei de Falências poderia ter trazido de adicional, Luciana destacou que os avanços para as empresas em Recuperação Judicial e falência também poderiam ter sido aplicadas para os processos de Recuperação Extrajudiciais, onde ocorre a negociação direta entre as partes, dado que é muito comum no Brasil e normalmente é seguida por uma Recuperação Judicial.

Cenário atual e Oportunidades

O painel também trouxe a visão dos especialistas acerca dos casos emblemáticos do ano: Americanas e Light. Alexandre esclareceu a diferença entre os casos: a Americanas chacoalhou o mercado e gerou uma crise de credibilidade, com a fraude ocorrida dentro da empresa. Já no caso Light, a “fraude é fora da empresa”, referindo-se às ligações clandestinas de energia elétrica, que minam o resultado da empresa.

Para finalizar, Filipe ressaltou a importância da governança das empresas, que podem trazer maior confiança e desenvolver o interesse dos investidores em relação ao mercado de ativos estressados. Esses ativos costumam ser descorrelacionados dos ativos tradicionais de renda fixa e renda variável, o que pode ser interessante como forma de diversificação de risco.

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